domingo, 26 de outubro de 2014

The Mission Of My Life - Capítulo 7


Stanford University, Califórnia. – 12h45 p.m

(Sn) retocava seu batom pela vigésima vez naquele mesmo dia. Naquela mesma manhã.
Para quem diz que patricinhas não fazem nada da vida e que são inúteis, bem...
Não é bem assim. Cuidar de si requer muita dedicação, tempo e principalmente, paciência.
Afinal, se você parar para pensar, estamos todos cheios de defeitos. E uma garota de tal porte, como os populares, não admitem isso.
Ridículo, realmente. Porém... era assim que eles realmente pensavam.
(Sn), por mais que tentasse, não conseguia compreender. Sempre teve muita preguiça só de pensar no assunto beleza. Tinha que passar vários cremes durando ao dia, depilação várias vezes por semana, não comer coisas com calorias, cuidar do cabelo como se fosse um bibelô...
Não, aquilo não era para ela.
Na verdade, (Sn) nunca ligou para isso. Apenas na parte das calorias. Já que ela era uma agente, não podia se dar ao luxo de engordar. Tinha que se manter em forma. Por causa do trabalho, não por vontade própria. Se não, com certeza viveria de fast-food todo dia.
Já pronta (graças a Deus!) se dirigiu até a porta. Sua colega de quarto, Charlotte, ainda dormia. Saiu antes que a menina acordasse. Como era de manhã o campus ainda estava vazio. O que era bom, já que a garota odiava lugares cheios. Um tanto quanto irônico...
Passou pelos enormes portões de ferros da universidade, saindo daquele ambiente. Não estava feliz, já que daqui a pouco voltaria. Bufou e sentou em um banco esperando o ônibus chegar. Olhou discretamente e viu Kelsey lendo um livro ali perto. Parecia uma garota comum, esperando seu transporte e não uma agente treinada com uma arma escondida por baixo do casaco.
(Sn) deu uma risada discreta e voltou a encarar o nada. Ela não podia chegar lá e conversar com agente Chadwick, afinal, elas não se conheciam. Pelo menos, eram o que as pessoas pensavam.
(Sn) sentiu uma pessoa se sentar ao lado dela, mas nem olhou. Já sabia quem era. Havia muitas pessoas por ali, para não criar suspeitas, envolveu o garoto com seus braços e encostou com a cabeça em seu ombro. Só Justin via como seu movimento era falso e frio.
- É tão ruim assim me tocar?
- Sim, é.
- Ontem pareceu que a sua opinião foi outra.
- Ora, é isso que nós fazemos, não é? Nós fingimos.
Justin ficou rígido na hora. Certo, aquilo não estava acontecendo. Olhou para a garota, indignado. Porém, ela parecia não ligar.
- O que está querendo dizer?
- O que você quer que eu diga?
- Tá –ele riu sem humor. – Vai me dizer que o beijo não significou nada para você? Que não sentiu nada?
Ela o olhou, irritada. Onde ele estava querendo chegar, merda?
Tudo bem, ela não tinha agido muito bem ontem... Sua atitude tinha sido meio impulsiva. Porém, ele pediu por aquilo. Depois do beijo, Megan saiu toda envergonhada. Todavia, (Sn) sabia muito bem que ela não desistiria. Oh, não. Conhecia aquele tipo. Megan era uma vadia, era só olhar que você já notava. E vadias não desistem. Não. Elas não param até destruir completamente o relacionamento de alguém.
O que Megan ainda não sabia era que ela estava brincando com (Sn) Parker. E ninguém a fazia de boba. Muito menos de corna.
E se Megan queria mesmo brincar com fogo, era melhor estar preparada. Pois no final sairia totalmente queimada.
Enfim, depois que a vadia saiu, Justin tinha ficado todo bobo. A agente não fez muita coisa, apenas o puxou pela camiseta e sussurrou em seu ouvido:
- A próxima vez não vai ser um beijo e sim um tiro.
Piscou e saiu andando. O deixando lá, sem reação. Depois o ignorou até agora. Não estava entendendo aonde Justin queria chegar. Quer dizer, sim, o beijo tinha sido bom, por mais que tentasse dizer outra coisa. Mas... foi só isso. Um beijo. Nada mais.
- Não. –voltou para a realidade. – Não significou nada.
Justin travou a maxilar e assentiu devagar, tentando digerir tudo.
- Tudo bem. Não vou esquecer-me disso, namorada. Pode deixar.
Ela o olhou, desconfiada. Por que ele estava todo esquisito? Pelo amor de Deus! Tinha sido um beijo. Apenas um beijo. E agora ele ficava de frescura? Parker revirou os olhos. Já sabia quem era o macho da relação...
O clima tenso ainda estava ali. Ela não sabia o que dizer e Justin parecia estar em outro planeta. O ônibus chegou bem naquele instante, a fazendo agradecer baixinho.
Ela se levantou e ele também. Porém, antes que avançasse, Justin a segurou pelo braço. Aproximou-se e sussurrou devagar:
- Apenas saiba que é melhor não ficar fazendo essas merdas por fazer. Afinal, não são todos que tem um coração de pedra igual ao seu. 
E então a largou e entrou no ônibus, a deixando meio tonta. O que diabos tinha sido aquilo?
Ela não sabia. E no fundo, sabia que era melhor não saber mesmo.
+++
O trajeto foi silencioso. Ryan estava na primeira fileira de bancos. Ele escutava alguma coisa em seu iPod. Pessoas normais pensavam que era música, mas na verdade era apenas uma gravação... Já Kelsey ficava olhando no relógio toda hora. Queria chegar logo, estava doida para descobrir o que tinha na fita. Apertou mais contra si sua bolsa, onde estava todo equipamento.
(Sn) encarava Justin às vezes, mas o garoto em nenhum segundo sequer a olhou. Ela ficou meio encafifada com isso.
Já Justin... Estava com uma puta raiva. Quem ela pensava que ela era? Aquele beijo tinha sim um significado e ela não podia ter negado aquilo. Não, ele não estava apaixonado por ela nem nada do tipo, mas tinha consciência que o beijo tinha alguma coisa especial.
Sabia também que se eles continuassem com aquilo, o resultado não seria muito bom. O problema era que Justin se apegava fácil demais. E isso era uma grande merda. Ainda mais para ele.
A vida de um agente sempre está mudando. As pessoas entram em sua vida e saíam logo depois. Você não tem um lugar fixo. Pode ser que sim, por um tempo. Todavia, logo depois vão te mandar para o outro lado do mundo. Talvez para China ou para Paris...
Justin era meio solitário. A única pessoa que tinha em sua vida constantemente era (Sn). Para ele, ela era tudo que tinha. Se a perdesse, se perderia também.
O que era errado de se pensar. Todos agentes sabiam que a qualquer momento um de seus parceiros, amigos ou família poderiam morrer por culpa de seu trabalho. E que se isso acontecesse, eles deveriam continuar como se nada tivesse acontecido.
Pois é, ser um agente não era nada fácil. 
+++
O ônibus parou e Ryan foi o primeiro a descer. Colocou o capuz na cabeça e se dirigiu até o outro ponto de ônibus, sem nem olhar para trás. Kelsey foi à segunda. Ela se dirigiu até a grande porta rotatória de vidro de uma loja que alugava carros.
E por último, mas não menos importante, Justin e (Sn) saíram de mãos dados em busca de um táxi. Todos estavam indo em transportes diferentes para evitar suspeitas. O táxi logo chegou e os dois entraram. Justin deu o endereço e em mais ou menos quarenta minutos chegaram ao local combinado.
- Tem certeza que é aqui? –perguntou o motorista. –
Justin sorriu, olhando para o lugar.
- Certeza absoluta. Muito obrigada.
Entregou o dinheiro para o homem e desceu do carro, seguido pela sua namorada. O homem balançou a cabeça descrente e antes de partir, disse:
- Esses adolescentes hoje em dia, viu...
E então sumiu do campo de visão de Justin e (Sn). A garota olhou para casa, com uma careta. Só podia ser brincadeira.
- Uma casa abandonada, sério?
- Tem ideia melhor, cahaya saya?
Ela quase cuspiu fogo ao ouvir o apelido. Justin não se cansava?
- Minha luz, sério? Não tinha apelido melhor não? Sim, eu sei falar indonésio. E uma casa abandonada é a ideia mais clichê do século! –Falou tudo rápido, ficando sem fôlego. –
- Se não quiser entrar, não entra.
- Teria coragem de me deixar aqui sozinha? –Indagou, furiosa. –
- Pensei que odiasse minha companhia.
- Puta que pariu, isso é sério? Não começa com essas graças, você sabe que eu odeio.
- Bom, foi você que começou.
- Quer ter uma D.R, Bieber? De verdade?
- Sim, nós precisamos!
- Certo, se quer brigar... então vamos brigar!
Ela largou a bolsa no chão e marchou furiosa em sua direção.
- O que diabos estava fazendo com aquela puta? Hein? Não precisa responder, pois eu sei muito bem. Nós não namoramos de verdade, mas todos pensam que sim. E eu não vou ficar com fama de corna apenas para você ter algumas horas de diversão. Ouviu bem? Eu não sou essas meninas que você está acostumada, Justin. Eu não sou assim! E é melhor você se acostumar com isso. Você é importante para mim, seu idiota. É claro que eu gosto de você. Se não gostasse, já teria te matado! O caso é que eu quero respeito, pode ser?
Ele estava igualmente furioso.
- Oh, sim. Já que estamos pondo as cartas na mesa, que tal a que você guarda segredos de mim? Que eu saiba, nós somos uma dupla! Nós nunca escondemos nada um do outro. Nem que a informação seja a mais inútil. Eu quero honestidade, Parker. Apenas isso. Será que é pedir demais, também? Certo, eu meio que errei com a Megan, mas foi mal! Eu sou homem, porra.
- E eu sou mulher, grande merda! Não é por isso que fico me jogando para o primeiro homem que passa.
- Já falei que eu errei, caralho. Me desculpa! Isso não vai acontecer de novo.
- Acho bom mesmo. –rosnou.-
- E você? Não tem nada para me dizer?
- Tá, desculpa por eu esconder informações de você. Foi errado. Vou ser sincera daqui para frente.
- Jura?
- Juro.
- Ótimo. Então vou perguntar uma coisa.
- Diz.
- O nosso beijo não significou nada para você?
De novo aquele assunto? (Sn) bufou e tampou os olhos com força. Deu um grunhido alto e voltou a encarar seu parceiro. Ele apenas a encarava, esperando uma resposta.
- Ok, Justin, você venceu! O beijo foi bom. Muito bom, aliás. E eu senti coisas diferentes sim, coisas que eu nunca senti. Mas, não pense que eu estou apaixonada por você, porque não estou. Satisfeito, porra?
Ele afirmou com a cabeça. Seu sorriso estava largo. Satisfeito era pouco para o que ele estava.
- Sabe, acho que nós podíamos tentar de novo, só para ver como vai ser e...
- Ah, cala a boca! –Ela gargalhou. –
- Eu apenas disse a verdade.
- Você não presta.
- Mas você gosta. –Sorriu, malicioso. -
 (Sn) sorriu, de novo. Era incrível como Justin conseguia se superar no quesito idiota. O puxou para um abraço apertado.
- Gosto mesmo. Você é um porre, Jus. Mas, eu não mudaria nada em você.
Ela sentiu o garoto a envolver com os seus braços, em um gesto firme e carinhoso.
- E você é a pessoa mais insuportável que eu conheço, mas eu jamais a trocaria.
- Nem por cem milhões de dólares?
- Hm, talvez...
Ela deu um tapa dele, o fazendo gemer de dor. Todavia, logo depois riu.
- Eu estou brincando, chatona. Eu não trocaria você por nada nesse mundo, meu anjo. Você, para mim, vale mais que qualquer outra coisa.
Ela ainda com o rosto enterrado no pescoço dele, não pode deixar de apertá-lo mais contra si. Justin era muito mais que um parceiro para (Sn), ele era... uma parte dela.
Quando você cresce, a vida te ensina que nem tudo é tão fácil quanto parece. Quando você precisa de alguém, as pessoas que você imagina que sempre estarão lá para tudo, desaparecem. Fora as decepções e os obstáculos que aparecem no dia-a-dia.
A vida não é perfeita.
Vão ser poucas pessoas em que você poderá confiar, que poderá contar para qualquer coisa. Aqueles que merecem ser chamados de amigos.
Porém, ela sabia. Sabia que Justin era para sempre. Não importa se um dia os dois brigassem, ela sabia que se precisasse de alguma coisa, poderia contar com ele. Sabia que se precisasse, Justin faria o possível e o impossível para salvá-la.
Antes que pudessem dizer algo, ouviram passos apressados e fortes. Justin atento puxou sua arma e se colocou na frente de sua parceira. Ouviu um suspiro irritado da mesma, mas nem ligou. Os passos se aproximavam mais.
A casa que estavam era no meio do nada. Cercada de mato. Se morressem ali, ninguém ia notar.
Um vulto loiro apareceu na frente dos dois. Justin deu uma bufada irritada. Guardou a arma e pegou (Sn) pela mão, a puxando para dentro da casa.
- Nunca se aproxime de um agente treinado assim, Butler.
- Eu só estava de testando. –O amigo respondeu, sorrindo cínico. –
- Claro que estava.
Todavia, não conseguiram ficar sérios por muito tempo e começaram a rir. (Sn) rolou os olhos, soltou a mão de Justin e entrou na casa.
Deu um chute na porta a fazendo cair quase na hora. Não foi difícil, já que o material estava podre.
O cheiro de mofo foi à primeira coisa que sentiu. Segurou a vontade de vomitar e entrou no recinto. A casa estava mobiliada. Porém, tudo estava... um lixo. O sofá estava rasgado, os quadros estavam rasgados e as paredes estavam cobertas de pó. Era um verdadeiro chiqueiro.
Continuou andando e foi até a sala de jantar. Lá tinha uma mesa enorme de vidro de dez lugares. E em um dos lugares estava Kelsey Chadwick, com vários computadores a sua volta.
- Você é mesmo adiantada.
- Não temos tempo a perder. – A garota respondeu, sem olha-la. –
- Pois é. Já analisou a fita?
- Eu estava esperando vocês. Cadê os outros dois?
Antes que (Sn) abrisse a boca para fazer alguma piada maldosa envolvendo os dois agentes, uma voz rouca a interrompeu.
- Aqui.
- Vocês três demoraram.
- Eu vim de transporte público. –Ryan se defendeu. –
- E eu e (Sn) estávamos tendo uma D.R
- O que diabos é isso? –Perguntou Kelsey, franzindo o cenho. –
- Discutir a relação. –Respondeu (Sn), dando de ombros.
- Céus, vocês dois se merecem mesmo. –Ryan falou, rindo. –
- Chega de papo, pode ser? Mãos a obra.
Kelsey colocou a fita para rodar. Todos se sentaram e encararam a tela em sua frente com atenção. Agente Butler tinha em mãos um caderno, para anotar os mínimos detalhes. Já Chadwick, uma câmera, para tirar fotos dos momentos importantes.
(Sn) e Justin apenas observariam, mesmo.
- É bom essa fita ter uma ótima prova... –Cochichou Justin, para a garota. –
- Pois é, passamos por mal bocados para pega-la.
E de fato tinham. Justin levou choque e o segurança os pegou no flagra. Porém, (Sn), sempre preparada tinha tudo sobre controle. Graças aos cientistas de hoje, tinham desenvolvido uma arma que fazia a pessoa adormecer na hora e apagar a memória de pelo menos as últimas três horas do dia da pessoa. E foi isso que aconteceu com o pobre segurança.
O vídeo começou. A câmera estava focada na área de estudos. Naquele dia, a biblioteca estava meio vazia. Apenas alguns alunos estavam ali, estudando. Nos primeiros quarenta minutos nada aconteceu.
Foi ai que uma garota loira, parecendo irritada, entrou na biblioteca. A loira era nada menos e nada mais que Ashley Kingston. Ela parecia procurar algo. Ou melhor, alguém. Nenhum dos alunos deu importância, apenas continuaram com suas cabeças focadas no livro. A garota loira jogou o lindo cabelo para trás e marchou decidida até uma mesa afastada de todos, com um garoto com capuz.
O garoto parecia estar meio impaciente e quando viu quem estava vindo em sua direção, ficou bem tenso. Tenso demais. O vídeo era sem som, o que dificultava as coisas. (Sn) apertou alguns botões e o vídeo ficou com zoom. Por causa do capuz, não dava para ver quem era. Entretanto, os dois pareciam discutir. O que atraiu alguns olhares, repreendendo-os.
Foi aí que o garoto com o capuz disse algo para a loira, que a fez recuar um passo. Os olhos dela brilhavam, estava cheios de lágrimas.
Kelsey e (Sn), como mulheres, sabiam que ali não havia só tristeza.
Mas, sim, raiva.
Ela gritou algo e saiu correndo. O garoto gritou algo de volta, fazendo uma menina que passava ali ficar assustada. Foi nesse exato momento que ele tirou o capuz, revelando seu rosto.
Todos prenderam a respiração.
Porque ali, não era qualquer simples pessoa e sim Chaz Somers.
E no rosto, estava com uma expressão assustadora, que continha apenas dois sentimentos: raiva... e vingança

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Hmmmmmmmm, será que estamos perto da nossa primeira pista (ou suspeito)????
Sei que demorei bastante, mas o que importa é que o capítulo finalmente saiu (amém), e por falar nisso, o cap seis foi dividido em três partes, porque senão ia ficar GIGANTE. Logo a terceira parte está aí ahahaha 
Primeira D.R do nosso casal, minha gente huahsuah Ainda vem muitas aventuras pela frente, se preparem...
É isso, espero que tenham gostado. Não deixem de comentar e dar alguns palpites.
Amo vocês.
Beijos. 



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